Comecei a sentir que tinha que haver outras pessoas, as que me tirassem dali. Tímida e pequenita, embrulhei-lhe nos lençõis que tinha à mão. Nem podia criar sonhos, nem nada. Entreguei-me de qualquer forma. Brinquei, imitei, esperei, procurei, desesperei. Escondi-me, observando-os. Tão grandes, tão maiores, tão deuses intocáveis para mim. Partiram e já não pude brincar, imitar, esperar, procurar... Apenas desesperar...
Que poderia eu ter, então? Nada. Para mim, nada. Perdi-os e foi o começo do medo infinito.
Por que não me agarrei a outras amarras? Por que não sabia eu que eram amarras? Só mais tarde, quando alguém olhou para mim. Quando alguém me recebeu, a mim. Amarras. E amarrei-me outra vez... De porto em porto, de olhares no espelho de águas turvas, em que nunca me conheci. Nunca soube, ainda não sei porque há barcos à deriva, porque há ventos que brincam, pois sabem que... Não há amarras. Porque não pode haver. Mas eu não sabia. Será que já sei?
Não pode haver amarras. Tem que haver mãos para amarrar a corda com segurança. Digam isto a quem ainda não sabe navegar. E expliquem que se o solo nos foge debaixo dos pés, a culpa não é nossa. A culpa não é nossa.
Sentada à sombra dos outros, queria tanto que me tivessem dado a mão e que me tivessem mostrado e dito que o sol nascia por e para mim. E que eu era o sol...
"As maiores loucuras são as mais sensatas alegrias, pois tudo que fizermos hoje ficará na memória daqueles que um dia sonharão em ser como nós: loucos, porém, FELIZES…" Kurt Donald Cobain
quinta-feira, 1 de abril de 2010
domingo, 28 de março de 2010
Desejos
Se eu pudesse, se tivesse esse poder, muitos momentos seriam celebrados. Com a pompa e circunstância da simplicidade: gente na rua, luzes a piscar, a brilhar, música, risos, amigos, amores, champanhe, bolinhas de sabão, abraços, beijos, danças, muitas danças, bombons e fitas coloridas, abraços, abraços, abraços!!! Se eu pudesse, se tivesse esse poder os dias nunca setriam iguais! Existem os feriados. Uns descansam, outros passeiam, outros fazem desporto, outros aconchegam-se, outros queriam ir trabalhar, outros vão às compras, outros passeiam, outros gritam, outros estão sós, outros amam-se, outros vão visitar quem querem, outros dormem, outros esquecem, outros passeiam o cão... Mas não é dos feriados que falo. Falo de momentos.
Se eu pudesse, se tivesse esse poder, celebraria o final das férias, o início delas, o final de uma semana, o início dela, o final de um dia de trabalho, a chegada da Primavera, do Verão, a mudança da hora... Sim, porque o sol far-nos-á companhia por mais tempo, e a Luz, denotativa e conotativamente, liberta-nos da escuridão. Hoje, seria motivo para tudo o que descrevi. Amanhã, à minha maneira vou celebrar o facto de concluir trabalho burocrático, 2ª feira, não sei... Mas vou pensar em algo. Celebram comigo? Ah, como seria bom estarmos predispostos para celebrar... Em muito boa companhia! A família, os amigos, os amores, os vizinhos, o país, a Humanidade! Hoje, disseram-me algo, é uma frase: "Quando estou a ir para baixo, começo logo, logo a pensar no que farei para ficar para cima". Os olhos sorriram, corrigi a postura, celebrei com um brinde.
Limpemos as gotas da chuva, e celebremos seja lá o que for.
Se eu pudesse, se tivesse esse poder, celebraria o final das férias, o início delas, o final de uma semana, o início dela, o final de um dia de trabalho, a chegada da Primavera, do Verão, a mudança da hora... Sim, porque o sol far-nos-á companhia por mais tempo, e a Luz, denotativa e conotativamente, liberta-nos da escuridão. Hoje, seria motivo para tudo o que descrevi. Amanhã, à minha maneira vou celebrar o facto de concluir trabalho burocrático, 2ª feira, não sei... Mas vou pensar em algo. Celebram comigo? Ah, como seria bom estarmos predispostos para celebrar... Em muito boa companhia! A família, os amigos, os amores, os vizinhos, o país, a Humanidade! Hoje, disseram-me algo, é uma frase: "Quando estou a ir para baixo, começo logo, logo a pensar no que farei para ficar para cima". Os olhos sorriram, corrigi a postura, celebrei com um brinde.
Limpemos as gotas da chuva, e celebremos seja lá o que for.
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Viver e morrer
Já não há muita coisa que me possam dizer, quando subrepticiamente me continuam a ver (infelizes) como... CULPADA! Já passou, é passado, enterrado. Não tenho culpa de nada.
Do passado temos memórias, danos... Do presente temos realidades, puras... Duras... Belas. Do futuro, sonhamos, acreditamos, suplicamos, desejamos.
Viver! Uma vida inteira! Dias, noites. Erros, certezas, atitudes.
O que desejamos pode não acontecer. Acontecem-nos coisas que jamais esperamos, sejam boas ou más. Não sei se alguém já despejou raiva em vós. Em mim, já. Eu também, mas... De forma diferente. Já me escreveram uma coisa terrível sobre a idade, sobre mim... Pois... Que dizer? A idade traz-nos sabedoria, discernimento, maturidade para dizer: NÃO!. E sobretudo quando definitivamente decidimos quem queremos pertinho de nós, quem nos faz bem, quem se enternece, rejubila e sorri...
Mas passo à frente, neste momento o que me foi dito é idiota, pequenino, de rir "a bandeiras despregadas".
Hoje, quero saber lidar com a vida. Não fujo. Não me minto. Nem aos outros... Os que interessam.
Cuidemos uns dos outros. Não de todos... Pois não interessa. Porém, a vida ajuda-nos a aceitar a condição humana. Não o consigo ainda como eu queria, mas existe a divinização do ser. Acreditem.
A mensagem é que sejamos únicos, tenhamos transparência e sabedoria, humildade e, sobretudo, amor-próprio! "Quando eu nasci, ficou tudo como estava..." Agora que vivo, baloiço com o Universo. E respeito-o tanto! E não há muito a fazer. Cuidemo-nos, inspiremos AFECTOS, peçamos ajuda, espalhemos alegrias, porque o tempo passa. Tudo passa. Ouvi nestes últimos tempos verdades fantásticas. Dolorosas, algumas, mas ecos de seres humanos que me querem bem e estão de bem com a Vida. Fugir é o caminho dos lobos predadores. Cada dia acendo uma vela em mim, tentando nessa luz, não perceber, mas aceitar. Se custa? Muito... Muito... Todavia aprendemos as leis da Vida. É duro, muito duro assistir. Crudelíssimo espectáculo da vida. Preciso de colo e aconchego. E tenho-os tido...
Vou estar sempre perto, meu pai. Ainda que sufoque por incompreensão, por infinita tristeza. Ainda que sorria com o coração a desfalecer... Vou falar contigo como tu queres, neste momento. Não sei, na maioria das vezes, mas por ti, por mim, tem que ser...
Os meus amigos sabem do que estou a falar... Mas a mensagem é: vivamos, agradeçamos, aprendamos só porque... Assim é a Vida.
Do passado temos memórias, danos... Do presente temos realidades, puras... Duras... Belas. Do futuro, sonhamos, acreditamos, suplicamos, desejamos.
Viver! Uma vida inteira! Dias, noites. Erros, certezas, atitudes.
O que desejamos pode não acontecer. Acontecem-nos coisas que jamais esperamos, sejam boas ou más. Não sei se alguém já despejou raiva em vós. Em mim, já. Eu também, mas... De forma diferente. Já me escreveram uma coisa terrível sobre a idade, sobre mim... Pois... Que dizer? A idade traz-nos sabedoria, discernimento, maturidade para dizer: NÃO!. E sobretudo quando definitivamente decidimos quem queremos pertinho de nós, quem nos faz bem, quem se enternece, rejubila e sorri...
Mas passo à frente, neste momento o que me foi dito é idiota, pequenino, de rir "a bandeiras despregadas".
Hoje, quero saber lidar com a vida. Não fujo. Não me minto. Nem aos outros... Os que interessam.
Cuidemos uns dos outros. Não de todos... Pois não interessa. Porém, a vida ajuda-nos a aceitar a condição humana. Não o consigo ainda como eu queria, mas existe a divinização do ser. Acreditem.
A mensagem é que sejamos únicos, tenhamos transparência e sabedoria, humildade e, sobretudo, amor-próprio! "Quando eu nasci, ficou tudo como estava..." Agora que vivo, baloiço com o Universo. E respeito-o tanto! E não há muito a fazer. Cuidemo-nos, inspiremos AFECTOS, peçamos ajuda, espalhemos alegrias, porque o tempo passa. Tudo passa. Ouvi nestes últimos tempos verdades fantásticas. Dolorosas, algumas, mas ecos de seres humanos que me querem bem e estão de bem com a Vida. Fugir é o caminho dos lobos predadores. Cada dia acendo uma vela em mim, tentando nessa luz, não perceber, mas aceitar. Se custa? Muito... Muito... Todavia aprendemos as leis da Vida. É duro, muito duro assistir. Crudelíssimo espectáculo da vida. Preciso de colo e aconchego. E tenho-os tido...
Vou estar sempre perto, meu pai. Ainda que sufoque por incompreensão, por infinita tristeza. Ainda que sorria com o coração a desfalecer... Vou falar contigo como tu queres, neste momento. Não sei, na maioria das vezes, mas por ti, por mim, tem que ser...
Os meus amigos sabem do que estou a falar... Mas a mensagem é: vivamos, agradeçamos, aprendamos só porque... Assim é a Vida.
sábado, 19 de dezembro de 2009
Diferenças...
Quando fechei os olhos,deixei de pensar. A força, a omnipresença da música era tão forte! Constelações de pensamentos assolaram-me. Pensei em tanta coisa, contudo continuei a escutar a música. Pensei que faltavam ali palavras, poemas, pedaços de histórias, soluçar de vidas! Pensei como queria tanto, como me faltava tanto a beleza pura das palavras que amo. Senti frio... Muito frio:) Sorrio porque valeu em absoluto a pena...
Talvez tudo pudesse ter sido diferente. Mas não creio... Tinha que ser assim.
Tudo isto me leva às pessoas. Pessoas com quem me dou... Umas paradas no tempo e no espaço, outras críticas, outras sem sensibilidade NENHUMA e que no entanto continuo a amar, outras que eu queria ver VIVEREM como eu gosto de viver, outras que não quero, outras que são... O espelho de mim. Fazem o meu universo girar! Quero que esse poder nunca me seja tirado... O de escutar as pessoas sãs deste mundo. Acreditem, essas pessoas sãs passaram por tanto sofrimento e conseguem iluminar a cerrada escuridão! Que emaranhado é este, perguntam vocês? É simplemente e grandiosamente a junção da beleza das coisas: os violinos tocam de madrugada... As palavras matam ou ressuscitam, purificam, emocionam!!! A voz, as vozes alcançam o infinito! Os amigos são para cada ocasião... Mas há aqueles que não têm ocasião! Têm tudo e, nesse tudo que são, deixam-me estar cheia de paz...
Noutro tempo, iria agora assistir à orquestra da noite num saco-cama, onde visse o mar...
Talvez tudo pudesse ter sido diferente. Mas não creio... Tinha que ser assim.
Tudo isto me leva às pessoas. Pessoas com quem me dou... Umas paradas no tempo e no espaço, outras críticas, outras sem sensibilidade NENHUMA e que no entanto continuo a amar, outras que eu queria ver VIVEREM como eu gosto de viver, outras que não quero, outras que são... O espelho de mim. Fazem o meu universo girar! Quero que esse poder nunca me seja tirado... O de escutar as pessoas sãs deste mundo. Acreditem, essas pessoas sãs passaram por tanto sofrimento e conseguem iluminar a cerrada escuridão! Que emaranhado é este, perguntam vocês? É simplemente e grandiosamente a junção da beleza das coisas: os violinos tocam de madrugada... As palavras matam ou ressuscitam, purificam, emocionam!!! A voz, as vozes alcançam o infinito! Os amigos são para cada ocasião... Mas há aqueles que não têm ocasião! Têm tudo e, nesse tudo que são, deixam-me estar cheia de paz...
Noutro tempo, iria agora assistir à orquestra da noite num saco-cama, onde visse o mar...
sábado, 5 de dezembro de 2009
Lição de voo
O meu blog tem objectivos. Voar!!! Cada vez que pressinto a ignorância e a inconsciência e a alienação, o não saber ser, tento VOAR!!! Cavalo alado, por que não te materializas na era em que vivo? Por que não és mais do que mito? Por que foges dos meus sonhos mortais? Por que permaneces longe?... Voa, cavalo alado, mostra que o voar acontece dentro do ser, acontece quando eu me quiser, acontece quando eu não me deixar perder, quando o vento soprar no meu rosto, quando a desilusão é esquecida porque lutei, quando me elevas, quando me (e só a mim) fazes VOAR!...
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Amor...
Os que sabem o que querem, lutam por esse amor que consideram único. Sonhar a dois é VIVER a dois. Amar é saber que há entraves no caminho, mas não querer desistir, não querer fugir, porque se sabe que esse ser é especial, é diferente, alguém que dificilmente outro alguém ultrapassará.
sábado, 28 de novembro de 2009
Vivos
Avassalador é o reino dos vivos. Confronto a paz e nem discuto o que penso. Por que procuras em vão o teu destino? Ele não existe. TU EXISTES. Rodopio sem pensar. PENSAR INCCOMODA COMO ANDAR À CHUVA, já dizia o outro... Tormentas e vendavais no meu ser! Incomodo tanto quanto se sentem incomodados! Cai a chuva sem permissão, o frio destroça tudo menos o meu momento. A inquietude é apenas um estar... Perspectiva-te! A tormenta é belíssima, porque tremem as emoções todas ao redor. Contraterniza com todos os elementos! Vibra, grita, dorme na areia fria, aconchegado pelo calor. Aquece o tempo de esperança. Há quimeras de verdade e sem sopro de alma... Não importa já o que se vive. Importa o que se transporta no vento... Arrasta-me, vive em mim... As fendas que trespassam a noite são sinais. Estou no frio, lancetada do fogo que a vida me permite. Vivo além, ainda que aquém do que me ditaram. Na crista do sonho desvendo o mistério. E depois... Uma borboleta dança, tem cor e liberdade. É bela. Cuspo nos degraus. Sei onde vou pisar. Tudo é meu, porque me sei. Lá fora, a chuva cai! Graças aos céus!!! A noite que imaginei emerge em mim. Estou bem. Mesmo bem. Porque a respiração suave do Universo persiste ao odor de mim. Ainda que ofegante nunca será ninguém a ditar-me as leis! Ó vida, que mesquinhez, que arrogância, o pensar que se está acima! Fujo entre os meus dedos de sentir. Pressinto os sentidos e penso sem querer. Deixei de pensar... Continuo a amar o calor seguro do colo da minha mãe. Entretanto, fecho os olhos, educo os ouvidos, toco sem sopro em tudo. E tudo é meu. Um dia, quando o Verão começar, vou estar no parapeito do teu coração. Um dia, quando houver calor, vou sentir a pele a vibrar. Vou construir tudo... Logo que puder...
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Le Petit Prince
Como mulher, passei por histórias que a maioria dos seres com que me cruzo consideram, hum... treta. Sim. Não tenho quaisquer dúvidas. P...