domingo, 11 de julho de 2010

Silêncio

Têm sido tempos muito difíceis. Poderia estar a querer falar da fome no mundo, da guerra, da crise nacional e mundial. Talvez interessasse mais às pessoas... Mas, como diz uma Amiga recente, "eu sei o que se passa no mundo, que pessoas morrem à fome, que há guerras e lutas de poder. Mas para quê saber de nomes e números e escutar o que de nada posso fazer. É a condição humana. Sei-o, mas não é essa a minha tarefa, a não ser que efectivamente possa fazer alguma coisa".
O que interpreto das palavras desta Amiga é que choramos pelo mundo e não choramos por nós mesmos e por quem está perto de nós. Para com estes poderemos fazer algo. E isso é verdadeiramente humano.
Dizia eu que têm sido tempos difíceis. Tenho falado muita coisa, escrito muita coisa(Não me refiro ao meu blog). Ainda não alcancei a maturidade que desejo... O que falo transparece o que está cá dentro mas só pela metade... Porém, o que falo e escrevo são os gritos mudos, os tais gritos mudos que advêm de um sofrimento e frustração atrozes.
Não quero falar nem escrever mais nada, não quero... Não vale a pena... Falo, escrevo, escrevo, falo...
A grande conquista estará em deixar de falar e escrever. Porque será aí que deixarei a mágoa de querer respostas que nunca terei. E escrevo e falo e falo e escrevo... O silêncio a que me devotam... É o que tenho que aprender. Sim e não com a mesma intenção... Maturidade: quando for para falar ou escrever, fá-lo-ei!
Todavia, efectivamente, o silêncio-desprezo e indiferença- é, na grande maioria das vezes, a melhor resposta, a arma mais poderosa. Aprendo convosco.

sábado, 3 de julho de 2010

Curas

Nem o poeta alguma vez poderá descrever o pôr-do-sol como o sentimos, o cheiro a maresia, o toque suave e áspero da areia, a neblina dos bosques, o cheiro do alecrim, a água morna a acariciar o corpo, o sabor das framboesas, o cheiro do açafrão, a lua e os seus contornos, o beijo, o suor, as lágrimas, o riso. Nem o poeta, que idolatro, alguma vez poderá mostrar o que é viver e sentir todos os dias.
A culpa não é dele. É da magnificência do Universo. As palavras não bastam a uma vida, pois a Vida quer que a vivamos. E a destreza do poeta permanece plangendo a harpa, para que estejamos atentos e, nem que seja por um mínimo instante, percebamos que se tenta, tenta-se sempre lembrar a beleza das coisas.
Sejamos poetas, todos, cá dentro. As palavras serão cada vez mais verosímeis. Mas apenas quando o quisermos, porque é preciso sentir e abraçar... Muito...

Anos passados

É curioso como, passados alguns anos, há situações que se revelam irritantemente absurdas. Suportei coisas descabidas. Por insegurança, admito. A insegurança é um sentimento cruel. Cega-nos, faz prevalecer os outros, mesmo que pouco sejam, que pouco valham. Mas ela existe. Espreita, invade e confunde. Não pode ser! Porque a insegurança tem aliados... Certas pessoas... Que lhe dão força e nós permitimos. Caminhos muito complexos da mente... Assumo-me. E é fantástico! Garanto-vos, já desci aos infernos, mas já estive em Paraísos Celestiais (pleonasmo). Coisa que asseguro, pouquíssimas pessoas o conseguem! E como não sou de linhas rectas, o que vivi e vivo de bom, foi e é mesmo MUITO BOM! Não é para toda a gente. Há efectivamente o reverso da medalha. Mas ninguém me tira ou tirará os meus momentos, aqueles em que tudo foi perfeito, na imperfeição dos outros. Podem avaliar, criticar insolentemente no interior, desvalorizar, depreciar, invejar, querer destruir. Não se aguenta. Mas agora sou eu quem afirma: Não se aguenta. Deixo a "criançada" para trás. Eu não sou uma menina, sou uma Mulher (que é menina, adolescente, tudo... Mas isso é outra história que agora não quero contar). Livrem-me das vidinhas lineares! Livrem-me das relações vulgares. Eu não o suportaria. Como há quem suporte. Não é para mim... Sabem porquê? Porque eu não vivo de relações, mas de emoções. Posso ir ao fundo. Mas garanto que voo muito, mas muito mais alto. E para todos aqueles que me vêem como querem ver e não como eu sou, só tenho uma coisa a dizer: Ainda bem que pensam assim. Tenho caminhos a percorrer, mas pelo menos tropeço e levanto-me, tenho coisas para aprender, mas procuro a sabedoria. Tenho TUDO! E o que não tenho é porque ainda não é para ter. Percebem?... Vaidade, arrogância?... Não. Verdade! Apenas a Verdade! Fiquem com as aparências. Eu fico COMIGO... Escrever é magnífico!... Agora, por exemplo, queria estar a comer o que me apetecesse, a beber o que me apetecesse, a dançar como me apetecesse, a nadar quando me apetecese, a rir, rir, rir! Por que não estou? Quem disse que não estou?... Ah! E não acreditem em tudo. Isso é para as crianças. "O essencial é invisível aos nossos olhos". Só alguns o vêem, graças a Deus. Adoro o Shreck...

sábado, 26 de junho de 2010

Dançar...

Dançar. Mas o que é dançar?... É não calcar, não decalcar, não imitar, não exibir, não olhar para o lado, para o espelho, não se intimidar. Dançar não é moda, é não torturar, não insultar o corpo nem os seus movimentos, é não fingir, é não pensar que se sabe dançar...
Sorri, liberta, sê como o vento a ondear as searas, sê liberdde, sê simplicidade, sê sedução, sê cumplicidade, sê tudo, sê feliz! Ai Cuba, yo quiero vivir in Cuba, etc e tal... Não enforquem a dança. Antes de nós, ela existia. Depois de nós, ela existirá. Fica quase sempre o vazio por aqui, porque uma Arte é genuina. Seduz, mas apenas se fores autêntico!

Vocações

Final de ano lectivo... Só um professor sabe. Pode estar o mundo contra ele, o governo, a religião, os país, a sociedade. Só um professor sabe... O que é uma escola vazia... Mais ninguém. Só um professor sabe o que falhou, o que foi fantástico, o que foi angustiante, o que foi brilhante, o que foi frustrante, o que foi enternecedor, o que foi desgastante, o que foi orgulho, o que foi falta de forças, o que foi persistência, o que foi desgaste, o que foi lição, o que foi contradição, o que foi sentir a falta, para recomeçar tudo outra vez, depois de "muitas férias" (dizem alguns "tão entendidos" e outros que não sabem nada). Só um professor aprende todos os anos, chora todos os anos, enternece-se todos os anos, quer desistir todos os anos, persiste todos os anos, constrói todos os anos, cresce todos os anos, fica diferente todos anos, tem saudades todos anos, fica inseguro todos os anos, comunica todos os anos, está triste e torna-se actor/ actriz todos os anos... Ninguém sabe o prazer estonteante, deprimente, glorioso, desgastante, apaixonante que é ser professor... E a Escola fica vazia... Um professor nunca pára, nem nas férias. Em tudo o que vê, imagina como o poderá transformar para os seus alunos. Mas descansa, como só ele sabe descansar... Porque ensinar é renovar em cada dia, é ser jovem eternamente, é ser pássaro e toupeira, é ser livre estando preso. Só mesmo quem sabe! Não tentem sequer imaginar... Só mesmo quem sabe. Voar é tudo o que escrevi. Mas, em toda a alegria e desânimo... Só um professor é que sabe!

domingo, 20 de junho de 2010

Oferendas

Ora bem, como é que nós percebemos os ritmos da vida? Há anos, apanhava eu, desmesuradamente, sol (inconsciente) e passei por situações muito interessantes. Uma delas, enquanto esperava o meu irmão, deitada nas dunas (pois então, o Norte é igual a si mesmo) e alguém surge, conversa, comenta o meu cigarro (nesta altura ainda a família não sabia) e oferece-me (sem mais nem porquê) um livro. É um facto que eu estava a ler. Mas o que leva um estranho (bastante mais velho) a oferecer um livro?... Muito intressante. E muito curiosamente, esse livro era "O ano da morte de Ricardo Reis" de Saramago. Não vou falar do eterno escritor que viu chegada a sua hora, até porque quem lê o meu blog, sabe o que penso sobre ele. O que me faz pensar é que alguém me ofereceu um livro. Sem exigências, trocas, investidas sexuais ou outras. Como percebemos os ritmos da vida? O que nos oferecem as pessoas, hoje? Sorrisos, simpatia, respeito, consideração? Cruzamo-nos com rostos carrancudos, desconfiados, interessados em tudo o que é "ilícito", mal dispostos, nem sei! As pessoas vêem novelas, os morangos sem açucar e até se emocionam! Fantástico! O problema é que depois vêm para as ruas com os rostos carrancudos, os olhares desconfiados e até demasiadamente maldosos. E depois há aqueles que querem parecer iguais a estas vidas e olham com desdém até para o mar! Que é isto? Se tiverem respostas plausíveis para explicar estes factos, dêem-mas, porque efectivamente eu continuo a não perceber O QUE É ISTO? Bem, continuo à espera da oferenda de livros, que é como quem diz, continuo à espera que a Humanidade se dê, sem restrições... Eu prometo que este Verão vou oferecer, para além de tudo aquilo que tenho, um livro a alguém. O pior é se esse alguém vai pensar que eu tenho outra intenção... Estão a ver a problemática??? Uf! É cansativo... Estou de férias!!! Brevemente vou contemplar o Mar!!! Eu penso que quando se pagarem os sorrisos e a simpatia, as pessoas vou considerá-los "in". QUE É ISTO?...

"Nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria."

Pablo Neruda



Um fotógrafo captou o momento exacto em que uma cadela beijou o bombeiro que a salvou.


POUCOS DE NÓS HUMANOS, TEMOS O GESTO NOBRE DE AGRADECER A QUEM NOS FAZ O BEM. ESSA FOTO MOSTRA-NOS QUE ATÉ AS OUTRAS ESPÉCIES ANIMAIS TEM O SENTIDO DA GRATIDÃO.

O NÃO AGRADECER A QUEM NOS FAZ O BEM, DEMONSTRA O QUANTO AINDA TEMOS QUE SOFRER PARA NOS TORNARMOS HUMANOS.


Gestos

COM TODA A HUMILDADE, CONTEMPLAÇÃO, ADMIRAÇÃO E GRATIDÃO PERANTE A NATUREZA, SAÚDO O VERÃO! QUE SEJA MAGNÍFICO E ETERNO!

Le Petit Prince

Como mulher, passei por histórias que a maioria dos seres com que me cruzo consideram, hum... treta. Sim. Não tenho quaisquer dúvidas.  P...